Cultura afro-indígena inspira oficina de dança e palavra no agreste de Pernambuco
Uma jornada de movimento e ancestralidade acontece em Bezerros com foco na valorização das tradições negras e indígenas nesta segunda-feira (31)

A cidade de Bezerros, no agreste pernambucano, terá uma aula que coloca a dança como eixo de construção de identidades e memórias, nesta segunda-feira (31/3).
A oficina gratuita “Dança Palavra-Movimento: Recontando Histórias” acontecerá das 18h às 21h30, no auditório do Centro Municipal de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CEMAIC), localizado na Rua Manoel Laurentino Filho, 259-303, no bairro de Santo Antônio. As inscrições devem ser realizadas no Instagram Dança Inflamada.
A iniciativa é voltada especialmente para mulheres (cis, trans, travestis), artistas e pesquisadores da dança, e demais interessados nos diálogos entre corpo, palavra e ancestralidade, a partir dos 15 anos.
Serão priorizadas inscrições de pessoas indígenas, afrodescendentes, quilombolas, ciganas, de terreiros e da comunidade LGBTQI+.
Com carga horária de 3h30, a oficina propõe práticas que unem dança popular, mitologia afro-brasileira, contos dos povos originários e poesia, tendo como referência a obra do poeta França de Olinda.
A proposta é fazer com que os participantes se reconectem com suas próprias histórias, transformando-as em movimento.
A partir de trupés e passos do frevo, cavalo marinho, caboclinhos e maracatu de baque virado, os corpos ganham novos sentidos em contato com elementos da natureza como terra, fogo, água e ar — forças que, segundo a oficina, atravessam a criação artística e espiritual de muitas tradições populares.
Além da técnica, o encontro mergulha em conteúdos que provocam reflexões sobre a invisibilidade das produções artísticas, literárias e acadêmicas negras e indígenas no Brasil.
Nesse sentido, a oficina também atua como espaço político, lembrando a urgência do cumprimento das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que estabelecem o ensino obrigatório da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas do país — um desafio ainda distante da realidade da educação brasileira.
A oficina busca ser uma extensão dos processos de criação do espetáculo “Obirin-Kunhã: Dança Inflamada”, que investiga os cruzamentos entre dança, palavra e espiritualidade de mulheres negras e indígenas.
“Ao aproximar o público desse universo, o projeto promove a escuta, o afeto e a troca de saberes entre quem dança e quem assiste — ou, como define o próprio projeto, entre quem “se move e quem se comove, afirmou a idealizadora, coordenadora e responsável por ministrar a capacitação, Marcela Rabelo.
A ação, que integra um conjunto de atividades culturais voltadas à valorização da memória ancestral e da criação artística popular, é realizada com incentivo da Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura.
Serviço
- O quê: Cultura afro-indígena inspira oficina de dança e palavra no agreste pernambucano
- Quando: Segunda-feira (31/3)
- Horário: 18h às 21h30
- Onde: Centro Municipal de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CEMAIC), localizado na Rua Manoel Laurentino Filho, 259-303, no bairro de Santo Antônio.