INSS e conta Gov.br: como aposentados podem se proteger de golpes online
Especialista explica os principais golpes e orienta sobre medidas de segurança para evitar que segurados sejam vítimas de fraudes

O avanço das tecnologias digitais trouxe mais comodidade e facilidade para aposentados e pensionistas, que agora conseguem resolver muitas demandas por meio de canais virtuais, sem precisar se dirigir a uma agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No entanto, a digitalização dos serviços também criou novas possibilidades de golpes a que os segurados devem ficar atentos.
Um dos meios frequentes de atos fraudulentos envolvendo aposentados e pensionistas são as contas do portal Gov.br, que se tornou um sistema centralizador por onde é possível acessar muitos serviços públicos, como a conta do MEU INSS.
Dados do portal Jusbrasil indicam que, mensalmente, cerca de 3 mil reclamações relacionadas a descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas são reportadas ao Instituto.
Segundo o advogado especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário Rômulo Saraiva, os segurados devem tomar alguns cuidados para não cair em golpes, como a realização de empréstimos consignados não autorizados.
“Apesar de todo investimento que o INSS e a Dataprev realizam, criminosos conseguem acessar o sistema do INSS, desbloqueando o benefício para realizar empréstimo consignado e outras transações”, afirma o advogado.
Ele conta que os dados da conta Gov.br podem ser acessados indevidamente por meio de ataques de hackers que usam técnicas cibernéticas para violar o sistema do INSS ou ainda pelo vazamento de dados por bancos terceirizados responsáveis da folha de pagamento do INSS.
Como se proteger contra golpes?
“Muitos golpes previdenciários são feitos com engenharia social, técnica que permite que a fraude seja cada vez mais convincente, pois o fraudador sabe de antemão informações sobre sua vida”, alerta o Rômulo Saraiva.
Para evitar ser vítima dos criminosos, o advogado aconselha que o aposentado não forneça dados por meio de ligações ou WhatsApp nem clicar em links maliciosos enviados por SMS, que tentam enganar sob pretextos como atualizações cadastrais do CadÚnico ou realização de Prova de Vida, com ameaças de cancelamento ou suspensão de benefícios.
“É tudo mentira. O INSS não tem esse tipo de comunicação. A fonte oficial de informação é a central 135 ou o aplicativo Meu INSS”, diz o especialista.
Além disso, recomenda-se que o segurado confira periodicamente o extrato de pagamento, que pode ser acessado pelo MEU INSS, para avaliar se há algum valor descontado indevidamente.

O advogado pernambucano Rômulo Saraiva é especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário - Divulgação
Minha conta Gov.br foi invadida: e agora?
Caso o segurado perceba que teve a conta Gov.br acessada de forma indevida, a recomendação é alterar a senha de acesso o mais rápido possível e registrar uma notícia-crime. “Isso pode ajudar a evitar futuros prejuízos de transações financeiras sem o consentimento”, explica o advogado.
Outras medidas para reforçar a segurança são realizar o cadastro biométrico e a autenticação de dois fatores da conta. Vale ressaltar que nunca se deve compartilhar a senha de acesso com estranhos.
O que fazer em caso de golpe?
Se mesmo com as medidas de segurança e prevenção o aposentado ou pensionista cair em um golpe, a primeira ação recomendada é fazer um boletim de ocorrência em uma delegacia. Além disso, a vítima pode entrar em contato com o INSS por meio da central 135 e da Ouvidoria para informar que foi alvo de fraude.
Com as medidas legais tomadas, é possível que os valores descontados indevidamente sejam reavidos. “Varia conforme as peculiaridades do caso, mas na maior parte das vezes é possível desfazer o golpe, com a desconstituição da dívida, cessação do desconto e obtenção de dano moral”, afirma o advogado.
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