Tarifas de Trump: preocupados, produtores do Sertão de PE realizam reunião com prefeito de Petrolina
Fruticultores do Vale do São Francisco discutem propostas para preservar embarques de uva e manga aos EUA diante da nova tarifa de 50%
A imposição de uma nova tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos, anunciada pelo ex-presidente Donald Trump, acendeu o alerta entre os produtores do Vale do São Francisco.
Com o início dos embarques de uva e manga previsto para a próxima semana, representantes do setor se reuniram nesta quarta-feira (23) com o prefeito de Petrolina, Simão Durando, em busca de alternativas para mitigar os efeitos da medida e evitar prejuízos para a economia regional.
A fruticultura no Vale do São Francisco é uma das principais atividades econômicas do Sertão nordestino. Apenas em 2023, o setor movimentou R$ 4,4 bilhões e gerou cerca de 120 mil empregos.
Para 2025, a expectativa é de que esse número chegue a R$ 5 bilhões, consolidando a região como um polo estratégico para a exportação de frutas frescas, sobretudo uva e manga.
Propostas para manter embarques programados
Durante a reunião, o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Jailson Lira, apresentou propostas com o objetivo de proteger a safra atual, que já está em fase de colheita.
“A primeira saída seria a negociação de volumes prévios de embarque para a safra da uva e da manga, já em fase de colheita e verificar a possibilidade de resguardar essa safra com as tarifas anteriores até o final deste ano”, afirmou Lira.
Ele também sugeriu que, caso não seja possível aplicar as regras anteriores a toda a produção, sejam definidas cotas de exportação em caráter emergencial para garantir o escoamento das frutas já programadas.
Outra proposta é a isenção de taxação para frutas e alimentos, argumentando que isso evitaria desabastecimento e garantiria a continuidade das exportações.
Apoio do poder público local
O prefeito Simão Durando, que integra a Frente Nacional de Prefeitos, prometeu a atuar como interlocutor entre o setor produtivo, o Governo Federal e autoridades internacionais.
“Para encontrar uma solução satisfatória, vamos acionar, ainda hoje, a governadora, Raquel Lira, embaixadores, os ministros, o Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados e o presidente Lula. Estamos diante de um iminente desastre que pode comprometer a economia, os empregos e todo segmento produtivo regional”, declarou.
Os produtores também planejam envolver outros municípios do polo de fruticultura irrigada. Segundo Jailson Lira, uma nova frente será aberta nesta quinta-feira (24), com um encontro com o prefeito de Juazeiro (BA), Andrei Gonçalves.
Os Estados Unidos são um dos principais destinos das exportações de uva e manga do Brasil, com destaque para os produtos cultivados no Vale do São Francisco.
Para economista, decisão de Trump não tem longevidade
Para o economista Werson Kaval, a preocupação dos produtores do Vale do São Francisco é justificada diante da natureza perecível da fruticultura, que exige respostas rápidas e articulação federal.
Durante entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quinta-feira (24), ele destacou que o tema já mobiliza parlamentares de diferentes estados.
“Ela realmente tem que esperar uma força maior de quem vem, vamos dizer, de cima, porque é um tratamento da esfera federal mesmo. Já tem aí a iniciativa dos senadores que irão semana que vem, né, a comitiva, tem senadores da Bahia, do Mato Grosso do Sul e de outros estados, do Goiás, por exemplo, para ir negociar isso”, afirmou.
Segundo ele, a tensão entre os exportadores cresce com o risco de perdas iminentes, como no caso dos 2.500 contêineres de frutas que, segundo relatos do setor, estariam prontos para embarque.
Kaval também observou que, mesmo diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, há pressão do próprio mercado americano por frutas brasileiras, já que o Brasil tem vantagem comparativa na produção.
Apesar do cenário adverso, o economista demonstrou otimismo com a possibilidade de uma solução política nas próximas semanas. “Eu continuo insistindo que o diálogo, penso que talvez até o dia 1º seja feita realmente alguma coisa”, disse.
Na avaliação dele, a decisão americana não tem base racional sólida e tende a não se sustentar por muito tempo. “Essa tarifa pode até acontecer, mas ela não tem longividade”, defendeu.