Caatinga concentra expansão da energia solar, mas sofre com perdas ambientais históricas
Bioma abriga 62% das usinas solares do Brasil, mas já perdeu 14% de sua cobertura original em quatro décadas, aponta MapBiomas. Entenda
A Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, tem ganhado protagonismo na transição energética do país. Segundo levantamento do MapBiomas, 62% das áreas de usinas fotovoltaicas do Brasil estão instaladas na região, que já soma 21,8 mil hectares ocupados por esse tipo de empreendimento.
A maior parte das áreas convertidas para a energia solar substituiu vegetação nativa e pastagens.
Transições de cobertura e uso da terra no bioma Caatinga para usinas fotovoltaicas entre 2016 e 2024 por estado - MapBiomas
O avanço da energia limpa, no entanto, convive com um quadro histórico de pressões ambientais. Entre 1985 e 2024, a Caatinga perdeu 9,25 milhões de hectares de áreas naturais, cerca de 14% de sua cobertura original.
As formações savânicas foram as mais afetadas, respondendo por quase 9 milhões de hectares perdidos. Atualmente, 59% do bioma ainda mantém vegetação nativa, mas a expansão agropecuária já ocupa mais de um terço do território.
Dados sobre a agricultura
De acordo com os dados, a agricultura foi o uso que mais cresceu proporcionalmente, com aumento de 1.636% em quatro décadas, enquanto as pastagens mais que dobraram de área no mesmo período. As queimadas também deixaram sua marca, 11,4 milhões de hectares foram atingidos desde 1985.
A disponibilidade de água natural também diminuiu. O bioma perdeu 21% da superfície hídrica, restando 66 mil hectares, com forte concentração em reservatórios e hidrelétricas na bacia do rio São Francisco. Já em relação à proteção ambiental, apenas 10% do território está inserido em unidades de conservação, majoritariamente de uso sustentável.
Os dados do MapBiomas e Coleção 10 reforçam a dualidade enfrentada pela Caatinga. Ao mesmo tempo em que desponta como referência em energia solar, o bioma ainda enfrenta desafios de conservação, perda de biodiversidade e pressão do uso agropecuário.