Descoberta de mapa holandês pode revelar os quilombos mais antigos dos Palmares
O trabalho cruzou informações do mapa com relatos do comandante Johan Blaer, que liderou uma ofensiva contra os quilombos em 1645
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A identificação de um mapa inédito da ocupação holandesa no Nordeste pode levar pesquisadores a localizar os mais antigos Quilombos dos Palmares, distribuídos entre o Agreste de Pernambuco e o estado de Alagoas. As primeiras escavações arqueológicas para confirmar a hipótese estão previstas para começar em janeiro de 2026.
A investigação teve início após a descoberta, em 2021, de uma versão manuscrita do mapa Brasilia Qua Parte Paret Belgis (“A parte do Brasil que pertence aos Neerlandeses”), produzido por George Marcgraf e publicado em 1647 pela editora de Johan Blaeu. O exemplar, encontrado pelo cartógrafo histórico Levy Pereira no acervo da Universidade Harvard, passou por uma análise detalhada que permitiu reconstruir, com maior precisão, o trajeto percorrido pelas expedições holandesas.
O trabalho cruzou informações do mapa com relatos do comandante Johan Blaer, que liderou uma ofensiva contra os quilombos em 1645. A comparação, associada a imagens de satélite de alta resolução, com precisão de até 30 centímetros, revelou características topográficas compatíveis com três quilombos mencionados por Blaer.
Segundo o relato holandês, o primeiro quilombo estava abandonado devido às condições insalubres, que resultaram na morte de muitos moradores. O segundo, parcialmente destruído na expedição de 1644, também havia sido deixado para trás. Apenas o terceiro permanecia ativo.
Localização dos Quilombos
Com a nova metodologia, os pesquisadores estimam que os dois primeiros quilombos se localizavam nos atuais municípios de Correntes e Lagoa do Ouro, no Agreste pernambucano. Já o terceiro estaria na região de Chã Preta e União dos Palmares, em Alagoas.
Lagoa do Ouro, em Pernambuco, é uma das áreas pesquisadas - Divulgação
A pesquisa multidisciplinar é coordenada pelos arqueólogos Flávio Aguiar, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL – Campus Sertão), e Onésimo Santos. A equipe reúne ainda o cartógrafo histórico Levy Pereira, o geógrafo e arqueólogo Daniel Ferreira, os historiadores Bruno Miranda (UFRPE), Danilo Marques e Zezito Araújo (UFAL), além de Leandro Pereira, responsável pelo registro audiovisual.
O projeto será financiado pela Fundação Cultural Palmares (FCP) por meio de um Termo de Execução Descentralizado firmado com a UFAL. A assinatura oficial do acordo, pelo presidente da FCP, João Jorge Rodrigues, e pelo reitor da UFAL, Josealdo Tonholo, ocorre nesta quinta-feira (20), durante as celebrações do Dia da Consciência Negra.
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