Quilombo Mundo Novo realiza lançamento de livro sobre a iniciativa Escola de Terreiro
O lançamento também marca a inauguração do espaço Território Vivo e conta com uma programação gratuita de apresentações culturais
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Neste domingo (30), a partir das 14h, o Quilombo Mundo Novo, localizado em Buíque, no Agreste de Pernambuco, será palco do lançamento do livro “Escola de Terreiro: Uma Experiência de Educação Quilombola no Mundo Novo”.
O evento marca também a inauguração do espaço Território Vivo, criado pela própria comunidade para fortalecer práticas culturais, educativas e de preservação da memória local.
A programação é gratuita e vai reunir apresentações da cultura popular, com atrações do próprio território e de Arcoverde. Entre elas estão o Samba de Coco Resgate da Alegria, Amanda Lopes, Afoxé Ya Omi Ogunté, George Silva, Coco Fulô do Barro, Lula Moreira, Mestre Assis Calixto, Julia Leandro e Juninho Santos.
Sobre o livro
O livro fala da experiência formativa do projeto Escola de Terreiro, iniciativa que nasceu em 2023 a partir da escuta das pessoas mais velhas do Quilombo Mundo Novo. Segundo Irailda Leandro, que faz parte da liderança do território, o material reafirma que os saberes da comunidade são teorias do conhecimento.
“Alcançamos o objetivo com uma proposta pedagógica quilombola e antirracista, enraizada na história e nos modos de vida do Quilombo Mundo Novo. Destacamos a educação quilombola e descobrimos novos caminhos teóricos e metodológicos.”
O evento vai trazer lideranças comunitárias, mestres e mestras dos saberes tradicionais, reforçando a importância da ancestralidade, da autonomia territorial e do pertencimento como bases da formação educacional.
Livro Escola de Terreiro: Uma Experiência de Educação Quilombola no Mundo Novo" - Divulgação
Escola de Terreiro
A comunidade Mundo Novo reúne mais de 70 núcleos familiares dedicados à agricultura familiar agroecológica. O território conserva tradições, quintais produtivos e práticas educativas guiadas pela memória dos mais velhos.
A iniciativa Escola de Terreiro desenvolveu atividades formativas inspiradas nos conceitos de escrevivência, de Conceição Evaristo, e transfluência, de Nego Bispo. Ao longo de oito encontros, com ações presenciais e remotas, foram realizadas 96 horas-aula com educadores, lideranças e mediadores
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O processo resultou em ilustrações, mapas afetivos e registros criativos produzidos coletivamente, a partir de oficinas conduzidas pelas educadoras Zzui Ferreira e Alba Cristina.
Comunidade Quilombo Mundo Novo - Divulgação
Desafios ambientais
O território enfrenta disputas territoriais históricas, pressões do agronegócio e preocupações com a possível instalação de usinas eólicas. Além de sofrerem com os impactos da crise climática e fechamento de escolas rurais, que enfraquece os vínculos educativos comunitários.
Para Zefa, liderança do Samba de Coco Resgate da Alegria, a Escola de Terreiro representa continuidade e futuro.
“O Mundo Novo reafirma seu compromisso com a ancestralidade, a autonomia territorial e a construção de futuros enraizados em justiça e dignidade. Esta iniciativa é caminho para quem chega, companhia para quem segue e memória para quem retorna”, conta.
O lançamento do livro e a inauguração do Território Vivo tornam o projeto uma referência em educação quilombola, fortalecendo saberes ancestrais e garantindo que a memória do povo da comunidade siga viva e em movimento.