Investigação

Padre Robson: delegado afirma que Vaticano sabia sobre denúncias

Religioso é investigado por supostos desvios de doações de fiéis

Equipe NE10 Interior
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Publicado em 26/08/2020 às 11:24
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O delegado Alexandre Pinto Lourenço, que é superintendente de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, afirmou que o Vaticano sabia das denúncias envolvendo o padre Robson de Oliveira Pereira, fundador e presidente da Associação dos Filhos do Pai Eterno (Afipe).

Lourenço relatou ao G1 Goiás que participou de uma reunião com dois representantes da Ordem Redentorista em setembro de 2019, em São Paulo. O delegado afirmou que eles tinham um "conhecimento avançado" da situação, mas não revelaram se havia investigação interna do Vaticano.

O delegado informou ainda que os representantes da Santa Fé teriam demonstrado preocupação com os supostos desvios de dinheiro, e disseram que aguardariam os desdobramentos da investigação policial para tomar providências.

Outro lado

A Arquidiocese de Goiânia, por outro lado, disse que não recebeu informações sobre as denúncias e que "não houve qualquer questionamento por parte do Vaticano em face da Afipe ou da pessoa do padre Robson de Oliveira".

A entidade afirmou ainda que se houve algum contato com o representante da Secretaria de Segurança Pública, não teria sido com membros do Vaticano.

Já a assessoria de imprensa do padre Robson disse que os conselheiros pertenceriam à Congregação do Santíssimo Redentor e que não são emissários da Santa Fé: "A carta recebida pela congregação fazia apenas suposições, todas refutadas na apuração".

A Ordem Redentorista não se pronunciou sobre o assunto.

Investigações

A investigação do Ministério Público de Goiás apura se R$ 120 milhões em doações de fiéis foram desviados para a compra de uma fazenda, uma casa de praia, entre outros, por parte do padre Robson.

A operação "Vendilhões" foi deflagrada na última sexta-feira (21) para cumprir 16 mandados de busca e apreensão em imóveis ligados a padre Robson e outros endereços. Após o caso vir à tona, o padre pediu afastamento das atividades.

O MP-GO chegou a pedir a prisão do padre Robson, mas a solicitação foi negada pela Justiça. Estão sendo apurados os crimes de apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, sonegação fiscal e associação criminosa.

Suposto caso amoroso

O processo que levou à operação que investiga suposto desvio de doações de fiéis por parte do padre Robson Oliveira Pereira, que era presidente da Associação dos Filhos do Divino Pai Eterno (Afipe) e reitor da Basília do Divino Pai Eterno em Trindade, na região metropolitana de Goiânia (GO), revela que o religioso teria supostos casos amorosos. Um hacker teria ameaçado expor a situação com o objetivo de extorquir o pároco.

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