Doença

Covid-19: Rio vai fechar escolas municipais a partir de segunda-feira

O cenário está evoluindo em curto período para o colapso da rede de assistência aos pacientes com a doença, especialmente os mais graves

Agência Brasil
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Publicado em 04/12/2020 às 16:19
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Felipe Ribeiro/ JC Imagem
FOTO: Felipe Ribeiro/ JC Imagem
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A prefeitura do Rio de Janeiro e o governo fluminense anunciaram, nesta sexta-feira (4), medidas para enfrentar o aumento de casos, óbitos e internações de covid-19 no estado e na capital. A partir de segunda-feira, as escolas municipais voltarão a ser fechadas, e já nesta semana os shoppings e centros comerciais no estado funcionarão durante 24 horas por dia.

O anúncio chega em uma semana em que a comunidade científica fez alertas ao poder público do Rio de Janeiro. O Grupo de Trabalho Multidisciplinar para o Enfrentamento da Covid-19 na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pediu o fechamento de praias, a suspensão de eventos e a limitação do horário de funcionamento de estabelecimentos.

Segundo nota técnica publicada pelos pesquisadores, o cenário está evoluindo em curto período para o colapso da rede de assistência aos pacientes, especialmente os mais graves.

Restrições mais rígidas como o fechamento de praias e a suspensão de eventos, feiras de negócios e exposições também foram recomendadas na ata da última reunião do comitê científico da Prefeitura do Rio de Janeiro, publicada nessa quinta-feira (4), no Diário Oficial do Município.

Ao anunciar as medidas definidas conjuntamente por estado e município, o prefeito, Marcelo Crivella, explicou que a opção por estender o horário dos shoppings e centros comerciais se deu para evitar aglomerações de consumidores durante as compras de fim de ano. O fechamento das escolas municipais também visa a controlar a tendência de alta nas curvas de casos e óbitos, segundo Crivella.

Para o prefeito, o novo aumento de casos está relacionado às campanhas eleitorais e à aglomeração de pessoas nas praias nos fins de semana. Além disso, Crivella pediu que as pessoas não descuidem do uso de máscara, do distanciamento social e da higienização das mãos

"Nós podemos retroceder. O apelo que se faz à cadeia produtiva e à população é para que a gente consiga não ter que tomar medidas mais duras", disse o prefeito.

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, reconheceu que o estado falhou em fiscalizar o cumprimento das restrições que ainda estão em vigor, como a limitação de público em eventos e estabelecimentos. Ele afirmou, no entanto, que esse trabalho foi endurecido nos últimos dias.

"Entendemos que essas medidas, bem fiscalizadas, juntamente com ampliação da base de leitos, nesse momento é o suficiente", defendeu.

Ampliação de leitos

Rio vai fechar escolas municipais e o governo do estado anunciou a abertura de 386 novos leitos de covid-19, sendo 314 de unidades de terapia intensiva. Entre essas vagas para pacientes graves, 91 devem ser abertas imediatamente.

A prefeitura, por sua vez, deve abrir 220 leitos novos leitos: 170 de enfermaria já nos próximos 15 dias e 50 de UTI em até 21 dias. Segundo a prefeitura, os tomógrafos da rede municipal também passarão a funcionar 24 horas por dia para reforçar o acompanhamento dos pacientes.

A ampliação chega em um momento de forte pressão sobre a rede SUS na região metropolitana e no estado como um todo. O número de pessoas internadas em UTIs do SUS na capital chegou ontem 566, o que representa uma ocupação de 92% dos leitos disponíveis.

Ainda segundo o balanço de ontem da Secretaria Municipal de Saúde, 166 pessoas aguardavam transferência para leitos de terapia intensiva de covid-19 na capital e na Baixada Fluminense. De acordo com o órgão, essas pessoas esperam pelas transferências assistidas em leitos com monitores e respiradores. 

A secretária municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Beatriz Busch, disse que a espera por leitos de UTI na rede pode chegar a 18 horas, mesmo número informado pelo governo do estado. Em outros momentos da pandemia, a espera era de seis horas.

Beatriz Busch fez um apelo para que profissionais de saúde, principalmente médicos, se prontifiquem a trabalhar no enfrentamento da pandemia, para que a abertura de novos leitos seja mais rápida.

"Meu papel aqui como secretária é pedir aos médicos que se alistem nesse exército, porque precisamos dos senhores novamente."

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