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Covid-19: após ter alta 25% dos pacientes entubados morre por sequelas da doença

Alguns pacientes acabam desenvolvendo a síndrome pós-UTI.

Superlotação no Hospital Getúlio Vargas, no Recife
Superlotação no Hospital Getúlio Vargas, no Recife (Cortesia)

No período de seis meses após a alta hospitalar, um em cada quatro pacientes graves de Covid-19 que foram entubados acaba morrendo. Entre os internados que não precisaram de ventilação mecânica, a taxa de mortalidade é de 2%. Os resultados são do estudo Coalizão, conduzido por oito hospitais do Brasil e institutos de pesquisa.

O estudo avalia a qualidade de vida dos pacientes que sobrevivem as hospitalizações por Covid-19. Os participantes são pacientes internados com a doença, eles são monitorados por ligações telefônicas a cada três, seis, nove e doze meses após a alta hospitalar. 

Os pesquisadores investigam, por exemplo, se eles foram internados mais de uma vez, se tiveram complicações cardiovasculares e falta de ar e se voltaram ao trabalho e às atividades habituais. Os dados mostram que, em seis meses, a taxa de nova hospitalização desses pacientes foi de 17%. Entre os entubados na primeira internação por Covid-19, 40% tiveram que ser internados novamente.

Apesar da intubação estar associada a maior taxa de mortalidade, é a gravidade da doença que gera complicações e ocasiona a morte dos doentes. É por isso que muitas pessoas relutam em ir ao hospital com medo da entubação, o que piora ainda mais o quadro clínico.

O estudo mostra que 20% dos pacientes que foram entubados ainda não tinham voltado a trabalhar seis meses após deixarem o hospital. Entre os que não precisaram de ventilação mecânica, foram 5%. Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores é a alta taxa de queixas de transtornos mentais após a alta hospitalar: 22% relatam ansiedade, 19%, depressão e 11%, estresse pós-traumático.

Síndrome pós-UTI

Nos pacientes mais graves, os pesquisadores estão analisando os efeitos da chamada "síndrome pós-UTI". Essas disfunções acabam gerando sequelas importantes como fraqueza muscular e redução da capacidade física. O tempo de reabilitação depende da gravidade da doença, do tempo de internação e da condição prévia de saúde do paciente.

Os médicos afirmam que quanto mais frágil o paciente, mais sujeito a ter complicações. Muitas pessoas acabam precisando de cuidados extra no pós-hospitalização, como sessões de fisioterapia para recuperar a força muscular e fonoaudióloga para reaprender a comer sem engasgar.

Os primeiros resultados envolveram 1.006 pacientes. Atualmente, mais de 1.200 estão sendo acompanhados e outros ainda serão incluídos. A idade média dos participantes é de 52 anos, sendo 60% homens. O tempo médio de hospitalização foi de nove dias. Um quarto dos pacientes necessitou de ventilação mecânica.