Saúde

OMS descarta uso de ivermectina para tratar pacientes com Covid-19

A recomendação é para que o medicamento não seja utilizado, independentemente do nível de gravidade ou duração dos sintomas da doença.

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Publicado em 31/03/2021 às 15:16
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Dirceu Portugal/Estadão Conteúdo
FOTO: Dirceu Portugal/Estadão Conteúdo
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou nesta quarta-feira (31) que "não se utilize a ivermectina" para o tratamento de pacientes com Covid-19, exceto em ensaios clínicos, de acordo com um comunicado da instituição. De acordo com o grupo de especialistas da OMS, os dados de estudos clínicos para medir a eficácia do antiparasitário contra a Covid-19 não produziram resultados conclusivos.

"Nossa recomendação é não utilizar a ivermectina para pacientes com Covid-19, independentemente do nível de gravidade, ou de duração dos sintomas", frisou a chefe da equipe de resposta clínica para covid-19 da agência da ONU, Janet Díaz, em entrevista coletiva realizada nesta quarta.

A recomendação passa a fazer parte das diretrizes da OMS sobre tratamentos da Covid-19. Segundo a organização, o medicamento deve ser usado apenas em ensaios clínicos. A decisão foi tomada após avaliação de um grupo de especialistas, formado para responder sobre o uso do medicamento como um tratamento potencial para a doença.

O grupo revisou os dados de um total de 16 ensaios clínicos aleatórios com 2.400 participantes. Alguns destes ensaios compararam a ivermectina com outros medicamentos. A conclusão foi de que é "muito baixa" a evidência sobre se a ivermectina reduz a mortalidade, necessidade de ventilação mecânica e admissão hospitalar e tempo para melhora clínica em pacientes com a doença provocada pelo novo coronavírus.

Um grupo de associações médicas brasileiras divulgou uma nota, na semana passada, defendendo que medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como a ivermectina e a cloroquina, não sejam utilizados em nenhuma hipótese para tratar a doença. 

Segundo médicos do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e do hospital da Universidade de Campinas (Unicamp), o uso excessivo de medicamentos do “kit Covid”, como a ivermectina, levou ao menos quatro pacientes a desenvolverem graves lesões no fígado, que demandam até necessidade de transplante.

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