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Bebês em estado grave com Covid-19 sofrem à espera de vagas em UTI no Recife: "clima de guerra"

Só em um hospital, são 10 bebês em respiração mecânica e outros cinco precisando de intubação, mas não há tubo nem ventilador.

Eduarda Cabral
Eduarda Cabral
Publicado em 06/05/2021 às 8:15
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Sérgio Bernado/Acervo JC Imagem
FOTO: Sérgio Bernado/Acervo JC Imagem
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Médicos do Hospital Barão de Lucena (HBL), que fica localizado no bairro da Iputinga, no Recife, relatam a preocupação diante do aumento de casos de Covid-19, que também tem provocado impactos na faixa etária pediátrica. Os profissionais se preocupam cada dia mais com a alta dos registros de coronavírus divulgados nos boletins epidemiológicos da Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) e com a realidade que enfrentam no dia a dia no atendimento aos pacientes.

De acordo com a SES-PE, até março de 2021 haviam sido registrados 632 casos de Covid-19 em pacientes com até 9 anos de idade. Em 5 de abril, haviam sido registrados 654 registros de quadros graves da doença, 22 a mais do que no mês anterior. Em maio, o numero é ainda superior, com 686 casos, 32 a mais em comparação ao mês de abril. Referência no atendimento a bebês e crianças com sintomas respiratórios, o HBL começou a última quarta-feira (5) com cenário de superlotação de leitos.

"Na emergência pediátrica do Estado onde eu trabalho tem, neste momento, 10 bebês em respiração mecânica esperando vaga de UTI (unidade de terapia intensiva). Outros cinco precisando de intubação, mas não tem mais tubo nem ventilador. As famílias do interior que não têm onde ficar estão dormindo no chão do lado de fora da emergência", descreveu uma médica do HBL em uma rede social. "A equipe está exausta; várias pessoas afastadas por depressão", comentou.

Falta de material e insumos

Outra profissional do HBL contou ao JC que faltam respiradores e máscaras para fazer a ventilação não invasiva, conhecida como VNI, que é utilizada como medida para evitar a intubação dos pacientes."Os profissionais estão muito sobrecarregados. Hoje (ontem) está sendo um dia muito difícil. Estamos vendo o caos novamente no HBL. É um clima de guerra", relatou a médica.

A médica explicou que o hospital tem 12 leitos de UTI para crianças que apresentarem sintomas respiratórios graves, mas estas vagas não são suficientes para a atual demanda. "A emergência tem recebido um número muito maior nos últimos dias. No sábado, por exemplo, eram 37 pacientes, e parte deles em vermelho (classificação que indica risco de gravidade)."

Resposta da SES

Questionada pela reportagem do JC, a SES-PE informou por meio de nota que há reforço nos plantões da emergência pediátrica para atender a demanda atual. "Com isso, a escala, que era feita com quatro profissionais, passou a ser feita com seis, além de mais um médico evolucionista", diz o texto. A Secretaria informou ainda que, enquanto aguarda a transferência, o paciente recebe a assistência devida, om suporte ventilatório, quando necessário, e acompanhamento de equipe multiprofissional, inclusive com fisioterapeutas.

"Mensalmente acolhe mais de 500 crianças em sua emergência e que muitos casos são de baixa complexidade, ou seja, deveriam receber a assistência nas unidades sob gestão municipal. Contudo, não nega atendimento, acolhendo e dando o devido encaminhamento para cada caso", frisa a nota. A direção do HBL destacou que o serviço está abastecido de medicamentos e insumos, além de realizar exames normalmente.

*Com informações do JC Online

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