O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) abriu um processo ético para investigar o anúncio da Volkswagen que utiliza a imagem de Elis Regina em uma propaganda da marca.
O processo irá analisar se os herdeiros podem autorizar o uso da imagem de uma pessoa falecida em uma peça publicitária criada por meio de inteligência artificial, em cenas em que ela nunca participou em sua vida e que são, na verdade, fictícias.
No comercial, Elis Regina aparece dirigindo uma antiga Kombi e, como se ainda estivesse viva, faz um dueto com sua filha, Maria Rita, que está ao volante de outro automóvel.
O Conar também avaliará o fato de a publicidade não ter informado os espectadores de que o uso da inteligência artificial foi utilizado para criar a cena.
Isso pode ter levado parte do público, especialmente os mais jovens que não conhecem a artista, a acreditar que se tratava de uma pessoa real e que Elis Regina ainda estivesse viva.
A propaganda pode, portanto, ter causado confusão entre ficção e realidade. O Conar irá analisar se a campanha ultrapassou os limites éticos que toda peça publicitária deve respeitar.
Atualmente, não há no Brasil uma regulamentação definida sobre o uso de Inteligência Artificial (IA), o que torna o desafio do Conar ainda maior.
De acordo com a montadora, a campanha utilizou a tecnologia deepfake para retratar Elis, que faleceu em janeiro de 1982, aos 36 anos.
Em entrevista, João Marcello Bôscoli, filho mais velho de Elis Regina e produtor musical, afirmou que ficou "muito emocionado" ao assistir ao comercial. Ele afirmou: "Ver Elis cantando ao lado da filha que ela não viu crescer me comoveu profundamente".
João Bôscoli disse que entende e respeita, mas não concorda com as críticas feitas por algumas pessoas devido à associação da imagem da cantora, conhecida por se posicionar contra a ditadura, a uma marca que teve ligação com o regime. Ex-funcionários afirmaram que o serviço de segurança da VW no Brasil colaborou com os militares para identificar suspeitos, que foram detidos e torturados.
O produtor ressaltou que não é possível restringir empresas que, em algum momento, apoiaram ditaduras. Ele questionou: "Se formos fazer uma revisão minuciosa como essa, quantas empresas restarão?".
Ele explicou que, em nome dele e de seu irmão Pedro Mariano, eles consentiram com a propaganda, pensando primeiramente na exposição que Elis teria e que seria uma forma de apresentá-la às novas gerações.
Este conteúdo é exclusivo para assinantes JC
Não localizamos uma assinatura ativa do JC para esta conta.
Para acessar este e outros conteúdos exclusivos, assine aqui.
Seu e-mail não é {{ email }} ou precisa trocar de conta?
Entre novamente.
{{ signinwall.metadata.blocked_text }}
Já é assinante?
Selecione o seu plano
{{ plans.first.name }}
R$ {{ plans.first.formatted_price }} /{{ plans.first.subscription_type }}
{{ plans.first.paywall_description }}
{{ plans.second.name }}
R$ {{ plans.second.formatted_price }} /{{ plans.second.subscription_type }}
{{ plans.second.paywall_description }}
{{ plans.third.name }}
R$ {{ plans.third.formatted_price }} /{{ plans.third.subscription_type }}
{{ plans.third.paywall_description }}
Pagamento
Assinatura efetuada com sucesso!
Agora você tem acesso a todo o conteúdo do nosso portal!
voltar para o conteúdoNão foi possível realizar sua assinatura.
Por favor, verifique as informações de pagamento e tente novamente.