Estudantes de Belo Jardim viajam para intercâmbio cultural em Portugal
Projeto "Era uma Vez…Brasil" leva jovens da rede pública a revisitar a história com foco nas vozes indígenas e afro-brasileiras
Na noite do dia 5 de novembro, um grupo formado por 15 estudantes e uma professora da rede pública de ensino de Belo Jardim, Agreste pernambucano, embarca para Portugal em uma experiência que vai muito além do turismo: um intercâmbio cultural que une educação, memória e identidade.
A viagem integra o projeto “Era uma Vez…Brasil”, promovido pela produtora cultural Origem, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Quem conta a nossa história?
Em sua nona edição, o projeto traz como eixo de reflexão a pergunta “Quem conta a nossa história?”, destacando a relevância da participação indígena e afro-brasileira na formação cultural e social do país.
A iniciativa busca dar protagonismo a vozes historicamente silenciadas, ao mesmo tempo em que incentiva os estudantes a produzirem e compartilharem suas próprias narrativas.
Da sala de aula às vivências em comunidades tradicionais
Antes do embarque, os jovens participaram de oficinas de audiovisual, roteiro, som, interpretação e fotografia, além de vivências em territórios ancestrais.
Em julho, o grupo esteve no Quilombo Barro Branco, na zona rural de Belo Jardim, e na Aldeia Pedra D’Água (Espaço Mandaru), dos Xukurus do Ororubá, em Pesqueira. Nessas visitas, puderam dialogar com lideranças locais e reforçar a conexão entre identidade, memória e ancestralidade.
Roteiro em Portugal
Em solo português, a programação prevê visitas a pontos históricos, escolas e universidades, incluindo locais que marcam os caminhos da corte portuguesa em Lisboa e arredores.
Os estudantes também vão apresentar as produções desenvolvidas em Belo Jardim e participar de trocas culturais com jovens e educadores portugueses, consolidando uma ponte de saberes entre os dois países.
Alcance do projeto em Belo Jardim
Em 2025, o “Era uma Vez…Brasil” envolveu 495 estudantes e 18 professores da rede pública municipal de Belo Jardim, alcançando dezenas de escolas.
A primeira fase, chamada Fatos Históricos, reuniu produções em HQs e vídeos curtos, dos quais os melhores foram selecionados para as etapas seguintes, incluindo oficinas e vivências em comunidades tradicionais.
Educação como transformação social
Para Marici Vila, diretora executiva da Origem Produções, o intercâmbio é um exercício de transformação:
“Nosso foco é valorizar a perspectiva dos povos indígenas e africanos na formação identitária histórica e cultural do Brasil, exaltando ancestralidade, diversidade e pluralidade”.
O projeto tem o Instituto Conceição Moura como principal incentivador em Belo Jardim, com patrocínio do Grupo Moura. Para Lorena Tenório, coordenadora executiva do Instituto, a iniciativa fortalece a educação como ferramenta de futuro:
“Ao aprofundar o conhecimento sobre nosso passado, os adolescentes e jovens participantes ganham uma compreensão mais rica dos desafios contemporâneos, capacitando-se a serem protagonistas na construção de soluções para o futuro”.