Crise do coronavírus

Equador retira 150 corpos de casas após sistema funerário entrar em colapso

Crise do coronavírus fez com que alguns corpos ficassem até três dias esperando

Ana Maria Santiago de Miranda
Ana Maria Santiago de Miranda
Publicado em 02/04/2020 às 14:45
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Com informações da Agência Brasil

A crise do novo coronavírus (covid-19) fez com que o sistema funerário da segunda maior cidade do Equador entrasse em colapso. Em Guayaquil, não há caixões para todos os mortos e os cemitérios não conseguem atender todas as famílias.

Por causa disto, o governo do Equador retirou, nessa quarta-feira (1º), 150 corpos que estavam em casas da cidade. As famílias relataram que alguns dos mortos chegaram a ficar três dias nas residências aguardando os serviços funerários.

Nem todas estas mortes foram ocasionadas pela Covid-19, mas o crescimento no número de óbitos fez com que as autoridades do país não conseguissem confirmar o número de vítimas do coronavírus.

O balanço mais recente desta quinta-feira (2) revelou que há 2.758 casos confirmados e 98 mortes pela doença no país. Cerca de 70% dos casos estão em Guayaquil. Desde o dia 11 de março, o país declarou Estado de Emergência Sanitária.

O representante do governo para a crise do coronavírus, Jorge Wated, disse que uma força-tarefa foi criada com militares e policiais para atender a demanda e retirar os corpos das casas.

"Continuaremos a trabalhar incansavelmente, trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, para cuidar dos afetados", declarou, em coletiva de imprensa na quarta.

 

Através do Twitter, Wated se desculpou com as famílias afetadas: "Reconhecemos qualquer erro e pedimos desculpas àqueles que tiveram demora em retirar seus seres queridos nas semanas anteriores".

A imprensa equatoriana afirma que apenas 20 das 120 funerárias de Guayaquil estão funcionando. Os profissionais dos serviços estão temerosos com relação ao contágio e há escassez de caixões. Os artesões não conseguem comprar madeira, tecidos e tintas para fazer os féretros por causa das restrições no comércio.

Números

Um cemitério administrado pelo governo tem capacidade para abrigar cerca de 2 mil corpos. O Equador estima que haverá entre 2.500 e 3.500 mortos apenas na província de Guayas, onde fica a cidade.

De acordo com o Ministério da Saúde Pública do Equador, o país tem 27 hospitais para atenção específica de casos de coronavírus, 2.100 centros médicos, além de 133 hospitais habilitados para outros tipos de atendimentos.

Toque de recolher

O Equador está realizando um toque de recolher desde o dia 21 de março, que vai das 19h às 5h da manhã seguinte. O recolhimento obrigatório das pessoas em Guayaquil, epicentro da doença no país, começa às 16h.

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