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Fundação do Câncer aponta que tabagismo e coronavírus são combinação catastrófica

Diretor executivo aponta que fumantes têm mais risco de desenvolver forma grave da doença

Pessoas que fumam estão mais propensas a desenvolver doenças respiratórias graves
Pessoas que fumam estão mais propensas a desenvolver doenças respiratórias graves (Markus Spiske/Pixabay)

O diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, afirmou que o tabagismo e o novo coronavírus são uma "combinação catastrófica". O tabagismo é um fator de risco para diversas infecções respiratórias, doenças vasculares, cardiovasculares e pulmonares. Por isto, a covid-19 tem o tabagismo como principal porta de entrada.

Luiz Augusto Maltoni afirmou que existe uma forte relação do tabagismo com o agravamento das condições dos pacientes que se infectam pela doença, com aumento da letalidade. Uma análise publicada na China comparou grupos de fumantes e não fumantes, e mostrou que a doença teve evolução mais grave com maior índice de letalidade no grupo de fumantes.

Alguns dos artigos mostraram que o número é 1,5 vez maior, outros, que é 2,4 vezes maior. "Ou seja, você mais do que duplica a chance de a doença se agravar e duplica os óbitos em relação ao grupo que não fuma", disse.

A Fundação apontou ainda que o uso do narguilé (cachimbo de água utilizado para fumar tabaco aromatizado) pode ser um agravante, já que o vírus se dissemina com facilidade através das gotículas de saliva contaminadas. "É um mecanismo de disseminação do vírus muito alto, a ponto de países como o Irã proibirem seu uso em bares e ruas pela possibilidade de propagação, porque passa de boca em boca. Também é uma associação muito perigosa", destacou Maltoni.

Os cigarros eletrônicos também podem trazer problemas para o organismo, já que contêm substâncias tóxicas como a nicotina, que é oferecida no formato líquido e forma um aerosol. Segundo o diretor executivo da Fundação do Câncer, essa inalação do volume de nicotina atinge a corrente sanguínea mais rápido do que o cigarro convencional. A substância é a principal causadora da dependência e afeta a imunidade celular em nível pulmonar, alteração do DNA da célula pulmonar, entre outros.

Estudo apontou que nicotina pode agir contra a covid-19

A Fundação do Câncer e outras seis entidades médicas divulgaram uma nota conjunta dizendo entender que "é muito precoce e arriscado" afirmar que haja potencial fator protetor da nicotina para a covid-19. Segundo as entidades, uma vez contaminados pelo novo coronavírus, os fumantes tendem a ter pior evolução do quadro, com mais gravidade e mortes.

Um estudo do Instituto Nacional do Câncer mostrou que o país gasta cerca de R$ 57 bilhões por ano com despesas médicas e perda de produtividade relacionadas a doenças provocadas pelo fumo. O estudo mostra ainda que o país arrecada R$ 13 bilhões de tributos por ano com a indústria do tabaco, o que significa que há um rombo de pelo menos R$ 44 bilhões para o sistema de saúde brasileiro. Todos os dias, 428 pessoas morrem devido ao tabagismo no Brasil.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou no dia 11 de maio que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas anualmente em todo o mundo. Especialistas em saúde pública convidados pela organização analisaram os estudos relacionados à covid-19 e o tabagismo e constatou que os fumantes têm maior probabilidade de desenvolver doenças graves e complicações da infecção de forma mais grave em comparação a não fumantes.

A OMS se posicionou de forma contrária aos estudos favoráveis à adoção de substâncias como a nicotina para tratar pacientes com o novo coronavírus. A organização não cita o estudo francês que trata do tema, mas alerta que é preciso ter cuidado com recomendações sem testes realizados por instituições de credibilidade internacional.

Luiz Augusto Maltoni apontou que o trabalho francês não foi publicado em uma revista científica conceituada. Nestes casos, há análise por parte de um comitê editorial, o que não ocorreu. O diretor executivo da Fundação do Câncer classificou a pesquisa como "um equívoco imenso".

*Com informações da Agência Brasil