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Haddad sobre Bolsonaro: se tem um vagabundo nesse país, é ele

Ex-prefeito de São Paulo fez duras críticas à gestão da pandemia do coronavírus por parte do Governo Federal

Entrevista com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad
Entrevista com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (Reprodução/Facebook)

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), fez duras críticas ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na manhã desta terça-feira (26), e afirmou que "se tem um vagabundo nesse país, é ele". A fala foi durante entrevista à Rádio Jornal, emissora de Pernambuco, estado onde o petista obteve 66,50% dos votos nas eleições de 2018.

"O que ele fez na vida dele, o Bolsonaro? Sete mandatos [de deputado federal] mamando, sem trabalhar. São 28 anos mamando sem trabalhar. Nunca apresentou um projeto, nunca presidiu uma reunião, nunca relatou um projeto, nada. Nunca participou de uma comissão, nada. Se tem um vagabundo nesse país - como ele gosta de chamar os outros - é ele. Nunca trabalhou", declarou.

Fernando Haddad falava sobre a apuração de irregularidades que teriam sido cometidas pelo filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro, em um esquema de "rachadinha": "Ele [Bolsonaro] está atrás do governador do Rio, mas não deixa [a Polícia Federal] investigar o próprio filho".

Na manhã desta terça, a PF deflagrou a operação Placebo, que apura suspeitas de desvios na Saúde do Rio de Janeiro envolvendo as ações de combate ao novo coronavírus. Foram cumpridos 12 mandados de prisão, um dos quais teve como alvo o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do estado, Wilson Witzel (PSC), e a casa dele no bairro Grajaú.

Crise do coronavírus

Haddad também criticou a forma que o Governo Federal está lidando com a pandemia do novo coronavírus, e o fato de que o país sequer tem ministro da Saúde, após as saídas de Nelson Teich e Luiz Henrique Mandetta.

"Não tem gabinete de crise, não tem sala de situação, não tem equipe, não tem gerente, não tem monitoramento, não tem teste, não tem abertura de leitos de UTI, não tem compra de materiais para médicos e enfermeiras", listou.

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Para Haddad, se não fossem os prefeitos, os governadores e o Congresso, o país estaria em situação pior. Ele lembrou ainda que a proposta da equipe econômica para o auxílio emergencial de R$ 600 era de R$ 200, o que para ele seria insuficiente para a sobrevivência das famílias.

Fernando Haddad pregou que a união é necessária para combater a pandemia. "Quais são os presidentes mais bem avaliados do mundo? Os que uniram o país para combater a pandemia. A divisão atrapalha. O presidente fala para você sair de casa e o governador fala para você ficar. Metade sai e metade fica. Acaba com a economia e acaba com a saúde".

Questionado sobre o que faria se fosse o presidente em uma situação como essas, ele afirmou que deveria ser adotado um protocolo com três situações: um no qual as cidades com poucos casos seguiriam o fluxo normal e um cordão sanitário seria realizado para que ninguém entrasse; outro com o isolamento social, no qual as atividades estariam restritas; e o lockdown, para os casos de colapso no sistema de saúde.

Reunião ministerial de Bolsonaro

Sobre o vídeo da reunião ministerial do governo, de 22 de abril, divulgada na última sexta-feira (22), Haddad criticou que um dos temas mais falados tenha sido a abertura de cassinos, e não a pandemia.

"O país está à deriva, nós estamos sendo governados por um desequilibrado, que só fala palavrão, só ofende as pessoas [...] Isso é uma loucura esse governo, não tem governo".

Haddad afirmou ainda que o ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, usou o ex-presidente Lula (PT) "de escada para subir na vida". Ele disse que tem como meta de 2020 conseguir provar que Moro foi parcial e condenou o ex-presidente "por ambição política".

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Veja a íntegra da entrevista: