Operação resgata 14 trabalhadores em condições análogas à escravidão no Sertão de PE

Ação dos auditores fiscais encontrou também um adolescente de 15 anos atuando ilegalmente em pedreira; produção abastecia obras de prefeituras

Publicado em 07/11/2025 às 15:48
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Uma operação realizada por Auditores-Fiscais do Trabalho, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho, resgatou 14 pessoas submetidas a condições análogas à escravidão no Sertão de Pernambuco. A fiscalização ocorreu entre os dias 26 de outubro e 5 de novembro de 2025, nos municípios de Exu e Parnamirim.

Durante a ação, focada no combate à exploração laboral, a equipe também afastou um adolescente de 15 anos que trabalhava ilegalmente em uma das pedreiras.

Os auditores inspecionaram pedreiras de extração manual de granito e obras públicas de pavimentação. Nas pedreiras, localizadas nas zonas rurais das duas cidades, foram encontrados 11 trabalhadores em condições degradantes.

Segundo a fiscalização, não havia qualquer registro ou direitos trabalhistas garantidos. Os trabalhadores viviam em barracos de lona improvisados, sem instalações sanitárias, local adequado para refeições ou acesso à água potável.

A água consumida era armazenada em tambores reaproveitados e contaminados. Sem banheiros, as necessidades fisiológicas eram feitas no mato.

Risco de morte e trabalho infantil

Nas frentes de trabalho nas pedreiras, a equipe identificou o uso de explosivos artesanais feitos com pólvora negra e bateria de automóvel. A prática gera risco iminente de mutilação e morte.

Nenhum trabalhador utilizava Equipamento de Proteção Individual (EPI). Foi nesse ambiente insalubre e perigoso que o adolescente de 15 anos foi flagrado realizando o corte manual de pedras.

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Investigação de Auditores-Fiscais do Trabalho constatou condições degradantes de trabalho e de moradia, ausência total de registro e direitos trabalhistas e riscos graves à integridade física em Exu e Parnamirim - DIVULGAÇÃO
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Investigação de Auditores-Fiscais do Trabalho constatou condições degradantes de trabalho e de moradia, ausência total de registro e direitos trabalhistas e riscos graves à integridade física em Exu e Parnamirim - DIVULGAÇÃO
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Investigação de Auditores-Fiscais do Trabalho constatou condições degradantes de trabalho e de moradia, ausência total de registro e direitos trabalhistas e riscos graves à integridade física em Exu e Parnamirim - DIVULGAÇÃO

Obras públicas envolvidas

A operação também fiscalizou obras de pavimentação que utilizavam as pedras extraídas nesses locais. Três trabalhadores foram encontrados alojados em uma casa precária, sem banheiro ou água encanada.

Ainda de acordo com a Secretaria de Inspeção do Trabalho, as investigações apontaram que parte da produção dessas pedreiras abastecia obras contratadas pelas prefeituras de Exu e Santa Cruz. Segundo os fiscais, houve omissão no dever de fiscalização sobre a origem dos insumos em contratos públicos.

"O que se viu nessas pedreiras é a face mais dura da exploração humana: pessoas vivendo e trabalhando em condições degradantes", destacou a coordenadora da operação, a Auditora-Fiscal do Trabalho Gislene Stacholski.

Como denunciar

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê (ipe.sit.trabalho.gov.br) ou pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia.

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