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Caso Miguel: prefeito de Tamandaré pede desculpas após defesa de Sarí convocar Padre Arlindo

Ela está sendo acusada de abandono de incapaz com resultado morte, após deixar criança sozinha em elevador

Padre Arlindo, pároco da Igreja de Tamandaré, estava na lista de testemunhas de defesa de Sarí
Padre Arlindo, pároco da Igreja de Tamandaré, estava na lista de testemunhas de defesa de Sarí (Bobby Fabisak/JC Imagem)

O prefeito de Tamandaré, no Litoral Sul de Pernambuco, Sérgio Hacker (PSB), pediu desculpas ao padre Arlindo Matos após a defesa da esposa do gestor, Sarí Corte Real, convocar o religioso para depor como testemunha de defesa dela, que é acusada de abandono de incapaz com resultado morte no caso Miguel.

Em comunicado, Hacker anunciou que irá retirar o nome do pároco da Igreja de Tamandaré da lista de testemunhas. A audiência está marcada para o dia 3 de dezembro na 1º Vara de Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital, no bairro da Boa Vista, área central do Recife.

O prefeito afirmou que lamenta "o equívoco ocorrido em relação à convocação do padre Arlindo como testemunha". A nota diz ainda que o padre não tem relação com o caso Miguel. "Desde já minhas desculpas ao padre Arlindo e gostaria de esclarecer que o nome do mesmo já está sendo retirado do processo em questão".

O padre Arlindo seria uma das oito testemunhas de defesa convocadas pelos advogados da primeira-dama de Tamandaré. Ela responde por abandono de incapaz com resultado morte e se for condenada, pode pegar até 12 anos de prisão. Além das testemunhas de defesa, há oito testemunhas de acusação, convocadas pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Sarí Corte Real será ouvida após a oitiva das testemunhas.

Ao JC, o padre disse que não tinha sido intimado ainda e mostrou-se surpreso com a informação. "A cidade é pequena, todos se conhecem". Nesta sexta-feira (6), ele disse que entrou em contato com o prefeito e com os advogados e solicitou que o nome dele fosse retirado da lista de testemunhas.

Entenda o caso

Miguel Otávio Santana da Silva, então com cinco anos, morreu em 2 de junho deste ano após cair do nono andar do prédio em que Sarí morava, o edifício Píer Maurício de Nassau, no bairro de São José, na área central do Recife. Ele era filho da empregada doméstica da acusada, Mirtes Renata Santa de Souza. A patroa da mãe de Miguel estava com a criança momentos antes da morte e deixou o menino andar sozinho no elevador do prédio. Mirtes havia saído para passear com o cachorro da patroa.

De acordo com a perícia do Instituto de Criminalística, ao chegar no nono andar enquanto andava sozinho no elevador, Miguel escalou uma janela de 1,20 metro de altura e chegou a uma área onde ficam os condensadores de ar. Em seguida, caiu de uma altura de 35 metros. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu.