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'Irresponsabilidade': médicos se posicionam na Comissão Especial sobre realização do Carnaval 2022

Eixo sanitário foi ouvido sobre a retomada de grandes eventos nessa segunda-feira (13)

Gabriela Luna
Gabriela Luna
Publicado em 14/12/2021 às 8:35
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PREFEITURA DE SÃO LUIZ DO PARAITINGA
Carnaval em São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo - FOTO: PREFEITURA DE SÃO LUIZ DO PARAITINGA
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Depois de uma reunião com o setor artístico-cultural e outra com parlamentares de outros municípios, a Comissão Especial sobre a retomada do Carnaval, São João e demais grandes eventos do Recife ouviu especialistas da área da saúde. A reunião ocorreu na Câmara do Recife, nessa segunda-feira (13).

O posicionamento contrário ao Carnaval foi unânime entre todos os médicos presentes na ocasião, ao contrário de reuniões anteriores, em que representantes da cadeia produtiva e do poder público admitiram a execução da festa, mas em outros moldes: em ambientes controlados e com exigência do passaporte da vacina.

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Medicina

Mas segundo defendeu Carlos Brito, professor da UFPE, a apresentação do comprovante de vacinação em eventos de grande porte não garante segurança alguma, principalmente diante da chegada da variante Ômicron.

"A cada semana países novos são atingidos, nós já temos aqui 11 cepas confirmadas. As do Brasil que foram confirmadas foram em pacientes vacinados.", completou.

Eduardo Jorge, membro dos comitês técnicos de assessoramento das vacinas contra a Covid-19 da secretaria Estadual de Pernambuco e do Ministério da Saúde, foi objetivo ao dizer que considera uma irresponsabilidade sequer achar que há possibilidade de haver Carnaval no próximo ano.

"É impossível a gente ter uma festa daqui a dois meses que estimula o não uso de máscaras, estimula a disseminação e é muito provável que nos próximos 15 dias, infelizmente, nós passaremos a ter aumento de número de casos", disse.

Para Eduardo, a aplicação da terceira dose do imunizante é essencial para combater a disseminação da Ômicron, mas não a "salvação da lavoura". "Precisamos de máscara, distanciamento, evitar aglomeração, entre elas o Carnaval pernambucano", cravou.

Posicionamento

Também estiveram na reunião representantes de instituições que já emitiram publicamente notas técnicas alertando para os riscos da realização do Carnaval, a exemplo do Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe), do Conselho Regional de Biomedicina 2ª Região, do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) e o Comitê Científico do Consórcio Nordeste.

No próximo dia 21 de dezembro, a comissão apresenta um relatório parcial sobre o tema para o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

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